sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A aventura de ensinar, criar e educar

A aventura de ensinar, criar e educar

''A ação criadora dá forma, torna inteligível, compreensível o mundo das emoções''.

Fayga Ostrower


O educador lida com a arte de educar. O instrumento de sua arte é a pedagogia. Ciência da educação, do ensinar.
É no seu ensinar que se dá seu aprendizado de artista.
Toda pedagogia sedimenta-se num método. Maneira de ordenar, organizar com disciplina, a ação pedagógica segundo certos pressupostos teóricos.
Toda pedagogia está sempre engajada a uma concepção de sociedade, política.
É nesse sentido que nesta concepção de educação este educador faz arte, ciência e política. Faz política quando alicerça seu fazer pedagógico a favor ou contra uma classe social determinada. Faz ciência quando apoiado no método de investigação científica estrutura sua ação pedagógica. Faz arte porque cotidianamente enfrenta-se com o processo de criação na sua prática educativa, onde no dia-a-dia lida com o imaginário e o inusitado. A ação criadora envolve o estruturar, dar forma significativa ao conhecimento. Toda ação criadora consiste em transpor certas possibilidades latentes para o campo do possível, do real.
Assim como o próprio viver, o criar é "um processo existencial''. Não lida apenas com pensamentos, nem somente com emoções, mas se origina nas profundezas de nosso ser, onde a emoção permeia os pensamentos ao mesmo tempo que a inteligência estrutura, organiza as emoções. A ação criadora dá forma, torna inteligível, compreensível o mundo das emoções" (Fayga Ostrower, Criatividade e processos de criação). É nessa busca de significado que o educador estrutura, organiza a consciência de seu viver pedagógico. O ato criador é o processo de dar forma, dar vida aos nossos desejos. Para isto, é necessário estar concentrado - com o corpo e a alma presentes - para desenvolver o esforço na educação do desejo que traz o germe da paixão.
Paixão que precisa ser educada...
No exercício disciplinado de sua arte (mediado por seus instrumentos metodológicos), é que a paixão de educador é educada.
Educador ensina a pensar, e enquanto ensina, sistematiza e apropria-se do seu pensar. Pensar é o eixo da aprendizagem.
Para pensar e aprender tem-se que perguntar. E para perguntar é necessário existir espaço de liberdade e abertura para o prazer e sofrimento inerentes a todo processo de construção do conhecimento.
A pergunta é um dos sintomas do saber. Toda pergunta revela o nível da hipótese em que se encontra o pensamento e a construção do novo conhecimento. Revela também a intensidade da chama do desejo, da curiosidade de vida.
Ansiedades, confusões e insegurança são constitutivas do processo de pensar e aprender. Assim como também o imaginar, o fantasiar e o sonhar. Não existe pensamento criador sem estes ingredientes.
Educador ensina a pensar. Mas somente pensar não basta. Educador ensina a pensar e agir, segundo o que se pensa, enquanto se faz.
Nesta concepção de educação o educador é um leitor, escritor, pesquisador, que faz ciência da educação.

Madalena Freire
Educadora

Texto publicado no Cadernos Pedagógicos, Observação, Registro, Reflexão, série Fundamentos.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Resumo da obra de Júlio Verne - 20 mil léguas submarinas

Vinte mil léguas submarinas

Há mais de um século, nenhum avião cortava o céu, e os navios a vapor e a novidade. Foi então que apareceu no mar um “monstro”, terror dos marinheiros. Para caçá-lo foi preparada a fragata Abraão Lincoln.
Junto com a tripulação viajava o Professor Arronax e seu assistente Conseil. Os dois fizeram amizade com o arpoador de baleias Ned Land. Um dia os três estavam no convés, quando viram ao longe o “monstro”.
A tripulação preparou-se para combater o “monstro”. Mas não houve combate. Uma tempestade afundou o navio. Alguns homens jogaram-se ao mar, tentando salvar-se. O Professor e Conseil nadaram perto um do outro.
Pouco depois o Professor e Conseil foram recolhidos em um bote por Ned Land. Navegaram em direção a uma pequena ilha. Era a sua única esperança de salvação em meio ao mar que se estendia em todas as direções. Ao alcançar a ilha tiveram uma surpresa. Não era uma ilha. Tratava-se de uma construção feita de chapas de aço. Os três compreenderam que aquele era o “monstro”. Como não tinham escolha, resolveram descer ali.
Os três homens desceram para o interior do submarino. Caminharam até uma sala arrumada com luxo. Lá uma foca avançou para eles como fazem os cachorros. O dono mandou-a ficar quieta e falou para os recém chegados:
_ Podem entrar, apenas aviso os visitantes que a bordo do Nautilus não se aceitam hóspedes. Quem entra aqui fica pra sempre.
O capitão Nemo, comandante do Nautilus, convidou os náufragos para almoçar. O Professor, Conseil e Ned acharam a comida ótima. Nemo contou que tudo vinha do mar.
Depois do almoço o Capitão Nemo levou-os para ver de que modo eram recolhidos os ingredientes usados como alimento. Os homens vestiam roupas especiais e respiravam por tubos de oxigênio.
Conseil viu um navio pirata encalhado no fundo do oceano e, ao explorá-lo, encontrou um tesouro. De repente apareceu uma enorme aranha negra. Ned, que se havia afastado pensando em fugir, voltou ao ver o amigo em perigo e arpoou a aranha.
O capitão Nemo descobriu que Ned pretendia fugir. Ao voltarem para o Nautilus, fechou os dois rapazes na cabina. O Professor protestou, mas o Capitão respondeu:
_ Quando entrei no Nautilus, eu avisei que daqui ninguém sai.
Na cabine Ned se pôs a estudar alguns mapas que encontrara. Tinha um plano de pedir ajuda enviando mensagens dentro de garrafas. Conseil divertia-se brincando com a foca.
Quando o Nautilus veio à superfície, os dois rapazes aproveitaram para jogar as garrafas ao mar. Nas mensagens contavam que eram prisioneiros do “monstro”.
De repente começou uma violenta tempestade. O submarino mergulhou rápido para fugir ao mau tempo. Nunca tinha descido tanto. Pelas janelas, o Professor, Ned e Conseil viam peixes de formas estranhas e desconhecidas.
Horrorizados, todos viram, pela janela, o olho de um polvo gigante. O Nautilus inteiro foi sacudido por um violento tremor. O Capitão Nemo ordenou:
_ Subir para a superfície! Fomos apanhados por um polvo gigante. Só poderemos combatê-lo lá em cima. No fundo do mar ele é invencível.
O Nautilus subiu usando toda a força de seus motores. O polvo continuava agarrado ao submarino.
Quando o submarino chegou acima da linha d’água, o Capitão Nemo, alguns marinheiros e Ned resolveram dar combate ao polvo. O Capitão avançou corajosamente com um arpão. Durante o combate foi apanhado. O polvo gigante imobilizou o Capitão com um dos seus sustentáculos. Parecia impossível que Nemo conseguisse escapar.
Nesse instante, Ned jogou seu arpão contra o polvo. O animal ferido recuou. Tudo devia ser feito muito depressa. E Ned fez: mergulhou e trouxe o Capitão de volta, são e salvo. O Capitão agradecido por Ned tê-lo salvo, resolveu deixar os três viajantes voltarem para casa. Como lembrança de a foca de presente a Conseil.

Num barco a vela pertencente ao Nautilus foi que o Professor, Conseil e Ned afastaram-se do submarino. O “monstro” mergulhou. Era a sua despedida. Mais tarde o barquinho foi encontrado por um navio e os três náufragos recolhidos. Desse jeito, puderam voltar para casa. Quanto às garrafas com mensagens, parece que até agora ninguém encontrou nenhuma delas.

  


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A História do Papel

A História do Papel


Antecedentes

Antes da invenção do papel, o homem se utilizava de diversas formas para se expressar através da escrita. Na Índia, eram usadas as folhas de palmeiras. Os esquimós utilizavam ossos de baleia e dentes de foca. Na China escrevia-se em conchas e em cascos de tartaruga. As matérias primas mais famosas e próximas do papel foram o papiro e o pergaminho. O primeiro, o papiro, foi inventado pelos egípcios e apesar de sua fragilidade, milhares de documentos em papiro chegaram até nos. O pergaminho era muito mais resistente, pois se tratava de pele de animal, geralmente carneiro, bezerro ou cabra e tinham um custo muito elevado. Os Maias e os Astecas guardavam seus livros de matemática, astronomia e medicina em cascas de árvores, chamadas de "tonalamatl".
A palavra papel é originária do latim "papyrus". Nome dado a um vegetal da família "Cepareas" (Cyperua papyrus). A medula dos seus caules era empregada, como suporte da escrita, pelos egípcios, há 2 400 anos antes de Cristo. Entretanto foram os chineses os primeiros a fabricarem o papel como o atual, começando a produção de papel a partir de fibras de bambu e da seda.

No Brasil

A primeira fábrica de papel no Brasil surge com a vinda da família real portuguesa. Localizada no Andaraí Pequeno (RJ), foi fundada entre 1808 e 1810 por Henrique Nunes Cardoso e Joaquim José da Silva. Em 1837 surge a indústria de André Gaillar e, em 1841, a de Zeferino Ferrez. A matéria-prima básica para o processo de fabricação do papel é a madeira. Para fazer o papel branco não-revestido, utilizamos a fibra curta, no Brasil encontrada no eucalipto. Após sete anos de cultivo, o eucalipto está pronto para ser colhido e utilizado no processo de fabricação do papel. Assim, novas mudas são plantadas e cultivadas, garantindo um ciclo de consumo fechado, renovável e responsável na utilização das florestas comerciais de eucalipto. Para começar o processo, as toras de madeira devem ser reduzidas a cavacos, porém antes de serem picados, as toras passam por um grande cilindro descascador. Dentro do cilindro, as toras colidem uma com a outra e friccionam até remover a casca. A casca cai através dos entalhes nas paredes do cilindro e é coletado e queimado como o combustível nas caldeiras. As toras descascadas passam por um picados, que as reduz ao tamanho de 1 polegada.
A madeira é composta de fibras pequenas da celulose, que se colam por uma substância chamada lignina.No processo de celulose, estas fibras são separadas cozinhando a madeira com produtos químicos para dissolver a lignina.Para conseguir este feito, os cavacos são carregadas até os grandes digestores.Os digestores são projetados no mesmo princípio que uma panela de pressão de cozinha. Os cavacos e os produtos químicos são cozinhados sob a pressão por 1.5 a 4 horas até que a mistura esteja reduzida a uma pasta de celulose com coloração escura. Essa celulose é lavada então para remover os produtos químicos e passa por um processo de branqueamento, que elimina todas suas impurezas, transformando-a em celulose branqueada.
De lá, a celulose segue para a máquina de papel, adicionado aditivos para dar ao papel as propriedades desejadas. A água é adicionada então à celulose em uma relação de 200 porções da água a uma porção da fibra, e é pulverizada sobre uma tela formadora da folha. Assim a folha de papel já começa a tomar forma e gramatura, definidas através de ajustes de velocidade e concentração da massa de celulose branqueada feitos na máquina.Com a máquina rodando em alta velocidade, o papel é pressionado entre telas e a água é absorvida com uma série dos cilindros chamados de secadores.Após secar, o papel atravessa um processo de prensagem e alisamento que visam: retirar o excesso de umidade existente na folha, alisar sua superfície e controlar sua espessura.
O papel sai da Calandra e segue para a enroladeira, onde a folha é transformada em um grande rolo de papel para futura confecção de rolos menores nas rebobinadeiras, denominados bobinas, que seguem padrões de tamanho pré-determinados destinadas para clientes gráficos. Para fazer o papel cortado, as bobinas continuam o processo passando pelas cortadeiras, adotando-se padrões de formato e gramatura. Após o corte, as folhas são contadas e separadas de acordo com quantidade em que elas serão embaladas. As empacotadeiras são responsáveis por embalar o papel cortado com 100 ou 500 folhas. Os pacotes de folhas embaladas passam a receber o nome de resmas e são encaminhadas ao processo seguinte, sendo agrupadas em caixas com 5, 10, 12 ou 50 unidades. Após o encaixotamento das resmas, as caixas são acomodadas em paletes e encaminhadas para a expedição. Na expedição é realizado o embarque de paletes em caminhões responsáveis pelo transporte dos papéis aos distribuidores, que os encaminham aos pontos de venda: papelarias, livrarias, supermercados, lojas de informática .

Papel Contact: Muito utilizado atualmente para encapar cadernos ou objetos que necessitem ser protegidos, o papel contact tem esse nome por ser adesivo de um lado, bastando retirar a folha protetora e aplicar. Também pode ser encontrado colorido ou fantasia, com vários temas e ilustrações.

Cartolina: Resistente e colorida, a cartolina serve a mil e uma utilidades e também apresenta uma grande variedade nos dias atuais.

Cartolina e Papelão:  é um intermediário entre papel e o papelão. É fabricado diretamente na máquina, ou obtida pela colagem e prensagem de várias outras folhas. Conforme a grossura, diz-se cartolina ou papelão. Na prática diz-se cartão, se a folha pesar 180 gramas ou mais por metro quadrado; menos que isso, é papel. A distinção entre cartolina e papelão costuma-se fazer pela grossura; é papelão quando supera o meio milímetro.

Cartolina metalizada ou laminada:

Papel Corrugado: O papelão ondulado nasceu do uso de papel e da necessidade crescente para empacotar e proteger. Possui uma estrutura formada por ondas de papelão firme. Pode ser encontrado em várias cores e atualmente é muito utilizado para forrar murais e confeccionar embalagens e caixas de presente.

Papel Silhueta: Colorido, maleável, possui um lado bastante iluminado ou lustroso. Já foi mais empregado que nos dias atuais.

Papel nacarado: É transparente como o celofane, porém mais maleável e com bastante brilho. Utilizado em festas, em adornos, possui diversas aplicações.

Papel Ofício: Folha comum muito utilizada em escolas e escritórios. Pode ser encontrada em cores e tamanhos variados: A4, Ofício.

Papel pedra: papel leve, cuja principal característica é imitar a superfície de uma pedra ou rocha. Geralmente utilizado para forrar potes ou latas quando se deseja efeito marmorizado ou mesmo em murais, quando se quer efeito pedra em algum detalhe. Pode ser utilizado amassado para dar maior naturalidade à cena.



Papel Celofane: Maleável, colorido e transparente, rasga com facilidade. Parece plástico porém menos resistente. Muito utilizado para ornamentar cestas de café da manhã, sacos e embrulhos para presente ou lembranças que necessitem de cobertura transparente, que adorne e deixe ver o conteúdo.

Papel Crepom:  Muito utilizado para babados e flores, por ser facilmente
 trabalhado, maleável e colorido.

Papel Camurça: macio e camurçado de um lado, serve para os mais diversos usos escolares ou não, algumas pessoas o preferem para forrar murais por substituir o feltro, é mais barato e tem uma aparência parecida, apesar de rasgar.

Acetinado - melhor impressão de tipos e ilustração.

Apergaminhado - qualidade superior, imita o pergaminho.

Bouffant - leve, fofo e áspero, utilizado para impressões de livros.

a) Bouffant de 1a.
Papel fabricado essencialmente com pasta química branqueada, não colado, com alta carga mineral (mais de 10%), bem encorpado e absorvente. Usado para impressão de livros, serviços tipográficos e cópias mimeográficas, podendo ter ou não linhas d'água.

b) Bouffant de 2a.
Papel de impressão, semelhante ao "Bouffant de 1a.", porém contendo pasta mecânica.

Bristol - cartão de boa qualidade, utilizado para cartões de visita, convites, etc.

Bíblia - ou também papel-da-india, opaco, extremamente fino e resistente, utilizado em bíblias e obras muito grandes par diminuir o volume.

Super Bond - semelhante ao apergaminhado, produzido em azul, verde, rosa, canário e outro. Usado para escrita, envelopes, segunda via de talão e encartes.

Couchê gessado - papel brilhante muito próprio para impressão de textos, apesar de ser muito lúcido e incomodar a visão.

Couchê mate - ou couchê fosco, um pouco mais barato que o comum e com menos brilho, facilitando a leitura.

Couchê monolúcido - possui acabamento gessado em apenas uma das faces, com a outra fosca. Utilizando em cartazes.

Offset - junto com o couchê é o mais utilizado, texturas fosca, uso freqüente em livros.

Monolúcidos - liso em apenas uma das faces, muito utilizados em cartazes e em folhetos de uma só face.

Jornal - papel de baixa qualidade, deve ser usado em apenas rotativas de jornal.

Imprensa - é um papel jornal melhorado, apresenta alguns problemas na impressão em policromia, mais utilizado em folhetos de baixíssimo custo.

Kraft - muito resistente, usado para embrulhos e sacos.

a) kraft natural para sacos multifolhados
Papel fabricado com pasta química sulfato não-branqueada, essencialmente de fibra longa, geralmente nas gramaturas de 80 a 90 g/m2. Altamente resistente ao rasgo e com boa resistência ao estouro. Usado essencialmente para sacos e embalagens industriais de grande porte.

b) kraft extensível
Fabricado com pasta química sulfato ou soda não branqueada, essencialmente de fibra longa, geralmente nas gramaturas de 80 a 100 g/m2. Altamente resistente ao rasgo e a energia absorvida na tração. Possui alongamento no sentido longitudinal maior ou igual a 8%. Usado para embalagem de sacos de papel.

c) kraft natural ou em cores para outros fins:
Fabricado com pasta química sulfato, não-branqueada, essencialmente de fibra longa, geralmente com 30 a 150 g/m2, monolúcido ou alisado, com características de resistência mecânica similar ao "Kraft Natural para Sacos Multifolhados". Usado para a fabricação de sacos de pequeno porte, sacolas e para embalagens em geral.

d) kraft branco ou em cores:
Fabricado com pasta química sulfato branqueada, essencialmente de fibra longa, geralmente com 30 a 150 g/m2, monolúcido ou alisado. Usado como folha externa em sacos multifolhados, sacos de açúcar e farinha, sacolas e, nas gramaturas mais baixas, para embalagens individuais de balas.

e) tipo kraft de 1a.
Papel de embalagem, semelhante ao "Kraft Natural ou em Cores", porém com menor resistência mecânica que este, fabricado com pelo menos 50% de pasta química, geralmente com mais de 40 g/m2, monolúcido ou não. Usado geralmente para saquinhos.

f) tipo kraft de 2a.
Papel semelhante ao "Tipo Kraft de 1a.", porém com resistência mecânica inferior, geralmente com mais de 40 g/m2, monolúcido ou não. Usado para embrulhos e embalagens em geral.


Verge - textura fosca com uma trama formada por pequenos sulcos, branco ou cores pastéis. Causa sobriedade e diferenciação ao projeto, mas é muito utilizado.

H.D. (Heavy Duty) - possui certo grau de resistência à tração. Utilizado para embrulhos, confetes, serpentinas.

Seda - papel macio utilizado em guardanapos e revestimento de produtos durante o empacotamento.


Papel-da-China - fabricado com a casca do bambu, aspecto sujo, mas macio e brilhante, usado em tiragem de gravuras.

Papel japonês - ou papel-de-arroz, branco ou pouco amarelado, sedoso, espesso, transparente, frágil, utilizado em gravuras.

Pergaminho - faz lembrar o pergaminho, freqüentemente utilizado para capas de volumes.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO

  COMISSÃO NACIONAL DE FOLCLORE


                             CARTA DO FOLCLORE BRASILEIRO



    O VIII Congresso Brasileiro de Folclore, reunido em Salvador, Bahia, de 12 a 16 de dezembro de 1995, procedeu à releitura da Carta do Folclore Brasileiro, aprovada no I Congresso Brasileiro de  Folclore, realizado no Rio de Janeiro, de 22 a 31 de agosto de 1951.
   Esta releitura, ditada pelas transformações da sociedade brasileira e pelo progresso das Ciências Humanas e Sociais, teve a participação ampla de estudiosos de folclore, dos diversos pontos do país, e também teve presente as Recomendações da UNESCO sobre Salvaguarda do Folclore, por ocasião da 25a Reunião da Conferência Geral, realizada em Paris em 1989 e publicada no Boletim no 13 da Comissão Nacional de Folclore, janeiro/abril de 1993.

A importância do folclore como parte integrante do legado cultural e da cultura viva, é um meio de aproximação entre os povos e grupos sociais e de afirmação de sua identidade cultural.


Capítulo I - CONCEITO

1. Folclore é o conjunto das criações culturais de uma comunidade, baseado nas suastradições expressas individual ou coletivamente, representativo de sua identidade social.
Constituem-se fatores de identificação da manifestação folclórica: aceitação coletiva, tradicionalidade, dinamicidade, funcionalidade. Ressaltamos que entendemos folclore e cultura popular como equivalentes, em sintonia com o que preconiza a UNESCO. A expressão cultura popular manter-se-á no singular, embora entendendo-se que existem tantas culturas quantos sejam os grupos que as produzem em contextos naturais e econômicos específicos.
2. Os estudos de folclore, como integrantes das Ciências Humanas e Sociais, devem ser realizados de acordo com metodologias próprias dessas Ciências.
3. Sendo parte integrante da cultura nacional, as manifestações do folclore são
equiparadas às demais formas de expressão cultural, bem como seus estudos aos demais ramos das Humanidades. Consequentemente, deve ter o mesmo acesso, de pleno direito, aos incentivos públicos e privados concedidos à cultura em geral e às atividades científicas.


Capítulo II - PESQUISA

1. A pesquisa em folclore pede, na atualidade, um reaparelhamento metodológico dos pesquisadores, combinando os procedimentos de investigação e de análise provenientes das diversas áreas das Ciências Humanas e Sociais.
2. A pesquisa folclórica produtiva será aquela que constituir avanço teórico na
compreensão do tema e em resultados práticos que beneficiem os agrupamentos
estudados, objetivando também a auto-valorização do portador e do seu grupo quanto à relevância de cada expressão, a ser preservada e transmitida às novas gerações.
3. Recomenda-se o desenvolvimento de programas de pesquisas integradas, regionais e nacionais, sobre temas específicos, com metodologias comuns, com o objetivo de propiciar estudos comparativos.
4. Recomenda-se, como metodologia de pesquisa, atuação participativa, integrando pesquisador e pesquisado em todas as etapas de apreensão, compreensão e devolução dos resultados da pesquisa à comunidade.
5. Recomenda-se a organização de núcleos de pesquisas científicas e multidisciplinares.

Capítulo III - ENSINO E EDUCAÇÃO

Recomenda-se:

1. Desenvolver ação conjunta entre os Ministérios da Cultura e da Educação a fim deque o conteúdo do folclore e da cultura popular seja incluído nos níveis de 1o e 2o graus e como disciplina específica do 3o grau de forma mais ampla, incluindo enfoque teórico e prático através do ensino regular, de oficinas, de observações e de iniciação às pesquisas bibliográficas e de campo.
2. Considerar a cultura trazida do meio familiar e comunitário pelo aluno no
planejamento curricular, com vistas a aproximar o aprendizado formal e não formal, em razão da importância de seus valores na formação do indivíduo.
3. Envolver os educadores de diferentes matérias em torno do folclore, considerando-o um amplo campo de ação para os estudos e a prática da multidisciplinaridade.
4. Buscar assessoramento para a ação pedagógica relacionada ao folclore junto a
instituições de estudo e pesquisa e/ou especialistas.
5. Manter, ampliar e melhorar a oferta de cursos de Folclore com vistas ao
aperfeiçoamento dos especialistas em exercício na área do Folclore e a reciclagem de professores, a fim de que possam recorrer à produção científica mais recente, que veicule uma visão contemporânea do folclore/cultura popular.
6. Intensificar a promoção de cursos de Folclore aplicado à Escola que envolvam, além da temática geral, o aprendizado de técnicas de construção artesanal e arte popular, a prática de grupos vocacionais e instrumentais, com repertório de música folclórica, direcionado a professores de 1o e 2o graus, propiciando-lhes condições para que deles participem.
7. Incluir o ensino de Folclore nos cursos de 2o grau (Habilitação/Magistério), nos
cursos de Comunicação, de Artes, de Educação Física, de História, de Geografia, de Turismo, nos Conservatórios e Academias de Artes em geral, Faculdades de Ciências Humanas e Sociais, de Pedagogia, de Serviço Social.
8. Designar para lecionar a disciplina Folclore os professores com especialização na área ou em outras disciplinas afins com reconhecida experiência.
9. Fomentar a criação de Cursos de Graduação e/ou Pós-Graduação que formem
especialistas direcionados à pesquisa da cultura popular.
1 Incorporar o tema folclore aos programas do PET (Programa Especial de Treinamento) e outros programas, tais como Monitoria e Iniciação Científica, a estudantes participantes de pesquisa de folclore.
11. Enfatizar a importância da participação de portadores de folclore nas atividades de ensino/aprendizagem em todos os níveis.
12. Orientar a rede escolar para que as datas relativas ao Folclore e Cultura sejam
comemoradas como um conjunto de temáticas que devem constar dos conteúdos das várias disciplinas, pois configuram expressões em diferentes linguagens - a da palavra, a da música, a do corpo - bem como técnicas, cuja prática implica acumulação e transmissão de saberes e conhecimentos hoje sistematizados pelas Ciências. Instruir os professores para que motivem seus alunos, em tais datas, a estudar manifestações do seu próprio universo cultural.
13. Estreitar o contato das Comissões Estaduais de Folclore com diferentes instituições de 1o, 2o e 3o graus, para estabelecer e/ou atualizar programas regulares de cursos sobre pesquisa e ensino de Folclore.
14. Promover a articulação entre pesquisadores e professores no sentido da participação na coleta e organização de coletâneas que reflitam as diversidades culturais regionais, com vistas à sua divulgação, valorização e aproveitamento didático do acervo folclórico.
15. Realizar o levantamento mais completo possível do cancioneiro folclórico, das danças e dos brinquedos e brincadeiras infantis, considerando-os fatores de educação, de desenvolvimento do gosto pela música/dança e de sociabilidade, valorizando-se o material tradicional com vistas ao seu aproveitamento no processo educativo. As canções devem ser transmitidas em pauta musical com o respectivo texto e as demais indicações necessárias: tessitura conveniente para voz infantil, detalhes da prosódia musical, eventual movimentação.
16. Incentivar a produção de textos e outros recursos em linguagem acessível ao leigo, bem como a produção de textos para deficiente visual e/ou auditivo, recorrendo-se para a sua divulgação a veículos diversos: publicações acadêmicas, revistas de educação, programas de rádio e televisão, programas produzidos pelas televisões educativas e publicações paradidáticas.
17. Realizar seminários, congressos etc. para apresentação e discussão de relatos de experiências pedagógicas e resultados de pesquisas.
18. Reconhecer a diversidade lingüística do Brasil e respeitar, sem discriminação,
os falantes procedentes das várias regiões e de todas as camadas sócio-culturais.


Capítulo IV - DOCUMENTAÇÃO

1. Reconhece-se a importância da documentação folclórica em todos os seus aspectos, utilizando-se dos meios tecnológicos específicos.
2. Recomenda-se o levantamento do calendário folclórico em âmbito estadual, mediante a articulação com os grupos e órgãos locais.
3. Recomenda-se que a documentação deve ficar sob a guarda de instituições
apropriadas, ligadas ao estudo e à pesquisa do folclore, como museus, fundações, universidades e outros centros de documentação.


Capítulo V - SALVAGUARDA E PROMOÇÃO

1. Reconhece-se a importância do apoio às manifestações folclóricas. Esse apoio deve-se dar, sobretudo, no sentido de assegurar as condições sociais e naturais aos homens para garantir o florescimento de suas expressões culturais dinâmicas.
2. Recomenda-se que as Comissões Estaduais se articulem com os órgãos locais para realização de pesquisas e outras atividades que visem a promoção e a salvaguarda dos portadores e de grupos folclóricos de qualquer natureza.
3. Reconhece-se a necessidade de fortalecimento dos organismos oficiais, de caráter nacional, estadual e municipal que se destinam à defesa do patrimônio folclórico do Brasil.


Capítulo VI - DIREITO DO AUTOR

1. Recomenda-se adotar providências adequadas à defesa do patrimônio musical
folclórico, particularmente no caso das melodias de domínio público, dos folhetos de
cordel, impedindo a apropriação dos mesmos por terceiros, realizando-se o procedimento
de registro em órgãos competentes.
2. Instrumentalizar as Comissões Estaduais para iniciarem o registro do patrimônio
musical de suas regiões.
3. Recomendar a indicação da procedência dos temas folclóricos nas composições que
contenham esses temas em qualquer de seus aspectos.
4. Zelar pelo direito dos artesãos e artistas populares de livremente estipularem o valor de suas obras e do mesmo modo zelar e respeitar o direito de imagem que lhes deve ser conferido.

Capítulo VII – EVENTO

Recomenda-se:

1. Divulgar o calendário nacional de atividades culturais, em particular de eventos
ligados à estrutura global das comunidades - considerando aspectos da economia, da ordem política e cultural - informando, além do registro cronológico das festas tradicionais, outros dados referentes à historicidade e estrutura da manifestação, detalhes dos participantes, importância para o contexto.
2. Prestigiar e divulgar as manifestações artísticas representativas das diferentes
comunidades.
3. Respeitar os interesses dos representantes da cultura popular nas decisões
relacionadas à dinâmica de suas manifestações, sem atitudes paternalistas nem
imposição de modelos alheios ao próprio folclore.
2. Promover Semanas de Folclore.

Capítulo VIII - TURISMO

Reconhece-se que a relação folclore e turismo é uma realidade. O turismo pode atuar como divulgador do folclore e como fonte de recursos para o crescimento da economia local, o que pode significar melhoria da qualidade de vida das camadas populares. Esta relação, porém, precisa ser avaliada no sentido de resguardar os agentes da cultura popular das pressões econômicas e políticas.

Capítulo IX - GRUPOS PARA FOLCLÓRICOS

1. São assim chamados os grupos que apresentam folguedos e danças folclóricas, cujos integrantes, em sua maioria, não são portadores das tradições representadas, se organizam formalmente, e aprendem as danças e os folguedos através do estudo regular, em alguns casos, exclusivamente bibliográfico e de modo não espontâneo.
2. Recomenda-se que tais grupos não concorram em nenhuma circunstância com os grupos populares e que em suas apresentações, seja esclarecido aos espectadores que seus espetáculos constituem recriações e aproveitamento das manifestações folclóricas.
3. Os grupos parafolclóricos constituem uma alternativa para a prática de ensino e para a divulgação das tradições folclóricas, tanto para fins educativos como para atendimento a eventos turísticos e culturais.

Capítulo X - COMUNICAÇÃO DE MASSA

Reconhece-se que não se pode mais desconsiderar o papel desempenhado pela
comunicação de massa na dinâmica do folclore, tanto pela divulgação
descontextualizante, quanto pela influência ideológica de valores que lhe são próprios.
Recomenda-se o estudo das interrelações do folclore com os fatos da cultura de massa e,
em especial, com as interferências, aproveitamentos e reelaborações recíprocas.

Capítulo XI - PUBLICAÇÕES

1. Reconhece-se a necessidade da edição de obras sobre o folclore brasileiro e traduções de obras científicas em que se encontrem estudos e/ou pesquisas relevantes, além da reedição de livros fundamentais.
2. Reconhece-se a necessidade da divulgação dos estudos sobre as manifestações folclóricas através de todos os meios e recursos disponíveis.

Capítulo XII - INTERCÂMBIO

Considera-se de grande importância o intercâmbio entre estudiosos, pesquisadores e instituições afins, objetivando a mais ampla troca de informações, em âmbito nacional e internacional. Para tanto, recomenda-se a realização periódica de encontros, seminários, simpósios e congressos, nacionais e internacionais.

Capítulo XIII - SUBCOMISSÕES

Recomenda-se às Comissões Estaduais estimular a criação de comissões municipais de folclore que poderão se assim o quiserem, se vincular à Comissão Estadual.

Capítulo XIV - HIERARQUIAS

Recomenda-se atuar junto às autoridades religiosas, políticas, policiais e educacionais no sentido do reconhecimento, prestígio e respeito às várias formas populares de expressão cultural.

Capítulo XV - RECURSOS FINANCEIROS

Reconhece-se a necessidade de recursos financeiros para a realização de pesquisas e ações de divulgação e apoio ao campo do folclore. Para isso, sugere-se a sua captação junto às instituições oficiais de financiamento, bem como o desenvolvimento demecanismos de parceria com a iniciativa privada.

Salvador, Bahia, 16 de dezembro de 1995.

Rua da Aurora 127/203 – 50060-010 – Recife (PE) Brasil

Telefone/fax (81) 32.22.61.58 – Endereço eletrônico: folclorebrasil@yahoo.com.br


Acesse o Artigo Original: http://espacoeducar-liza.blogspot.com/2012/06/carta-do-folclore-brasileiro-na-integra.html#ixzz23vL2uVKK

Os contos de fadas e o inconsciente humano: uma visão psicanalítica



O que, afinal, os contos de fadas despertam no imaginário da criança que tanto a fascina?

Para tentar responder a essa questão, vamos nos utilizar de alguns pontos da visão psicanalítica e da psicologia analítica. Segundo ambas as teorias, os contos de fadas são tão fascinantes porque simbolizam o processo que percorremos no desenvolvimento de nossa psique.

Para Freud (1978), o centro da nossa psique seria a libido, o impulso para obtenção de prazer. Esse prazer não se limita à união pelo ato sexual ou órgãos genitais. A libido evolui, passa por fases distintas, onde o prazer se concentra e é obtido de diferentes formas (fase oral, fase anal, fase fálica e fase de latência). Assim, o ser humano teria um desenvolvimento psicossexual. Nesse desenvolvimento o autor atribuiu importância bastante acentuada na relação que é estabelecida entre a criança e seus pais (complexo de Édipo).

Ainda segundo a psicanálise, o inconsciente desempenha papel principal na estruturação da psique, é o núcleo da vida psíquica. No inconsciente humano estaria todo o material reprimido pelo indivíduo, especialmente material de fundo sexual. No entanto, o inconsciente encontra formas de se expressar. Entre essas formas, podemos citar os contos de fadas e os sonhos.

Por isso, todo sonho e seus mínimos detalhes podem ser analisados e entendidos, pois mostram o que preocupa a mente inconsciente do indivíduo.

Através da análise de seus sonhos, uma pessoa pode alcançar uma compreensão muito melhor de si mesma pelo fato de entender aspectos de sua vida mental que escapam à sua observação, que estavam distorcidos ou negados – não reconhecidos antes (BETTELHEIM, 2000, p.70).

Ao entender seus sonhos e seu conteúdo inconsciente, o indivíduo conhece muito mais a si mesmo e pode entender o quanto essas necessidades, desejos e ansiedades influenciam no seu comportamento. E essa compreensão e conhecimento podem auxiliá-lo a lidar muito melhor com sua vida, obtendo mais sucesso.

Segundo a psicanálise, os contos de fadas podem ser comparados aos sonhos. Essa origem comum dos sonhos e contos de fadas também é defendida por pesquisadores de outras linhas, como Campbell (1990) e Jung (1986), embora com algumas diferenças, como apontaremos mais adiante.

Mesmo tendo uma base comum, os sonhos e contos conservam cada um as suas especificidades. Podemos dizer que os sonhos trazem a expressão do inconsciente de uma pessoa em particular. Trazem preocupações, sentimentos específicos de um indivíduo.

Já o conto é a forma imaginária que os problemas humanos mais ou menos universais alcançaram à medida que a história passou por gerações. (BETTELHEIM, 2000, p.74).  Ou seja, ao ser recontado durante séculos, essas histórias foram sendo enriquecidas com as angústias peculiares do ser humano, e não de um ser humano em particular, mas sim de toda a humanidade.


Embora não se possa precisar a origem dos contos de fadas, alguns vestígios foram encontrados a séculos antes de Cristo, de origem orientais e célticas. Após a Idade Média textos europeus fundiram-se a esses. Portanto, hoje se torna impossível precisar qual seria a versão original de um conto, tanto que foi enriquecida, por vezes simplificada e fundida com outras fontes. Apenas uma evidência parece ser unânime: todas as versões têm um fundo comum, uma origem parecida, pois essa é a única explicação para a semelhança enorme entre elas, versões encontradas em regiões muito distantes entre si, com línguas e culturas diferentes. (COELHO, 1987, p.15). Além disso, os contos não sobreviveriam tanto tempo (durante séculos apenas pela transmissão oral) se não fossem realmente significativos para o homem.

Dez princípios para um bom professor





Eis então os dez passos na direção de uma pedagogia do desenvolvimento humano:



1.  Aprimorar o educando como pessoa humana. A nossa grande tarefa como professor ou educador não é a de instruir, mas a de educar nosso aluno como pessoa humana, como pessoa que vai trabalhar no mundo tecnológico, mas povoado de corações, de dores, incertezas e inquietações humanas. 

A escola não pode se limitar a educar pelo conhecimento destituído da compreensão do homem real, de carne e osso, de corpo e alma. 


De nada adianta o conhecimento bem ministrado em sala de aula, se fora da escola, o aluno se torna um homem brutalizado, desumano e patrocinador da barbárie. Educamos pela vida como perspectiva de favorecer a felicidade e a paz entre os homens.

2.  Preparar o educando para o exercício da cidadania. Se de um lado, primordialmente, devemos ter como grande finalidade do nosso magistério o ministério de fazer o bem às pessoas, fazer o bem é preparar nosso para o exercício exemplar e pleno da cidadania. O cidadão não começa quando os pais registram seus filhos no cartório nem quando os filhos, aos dezoito anos, tiram suas carteira de identidade civil, a cidadania começa na escola, desde os primeiros anos da educação infantil e se estende à educação superior, nas universidades; começa com o fim do medo de perguntar, de inquirir o professor, de cogitar outras possibilidades do fazer, enfim, quando o aluno aprende a fazer fazer, a construir espaço de sua utopia e criar um clima de paz e bem-estar social, política e econômico no meio social.
3.  Construir uma escola democrática. A gestão democrática é a palavra de ordem na administração das escolas. Os educadores que atuarão no novo milênio devem ter na gestão democrática um princípio em que não arredam pé, não abrem mão. Quanto mais a escola for democrática, mais transparente. Quanto mais a escola é democrática, menos erra, tem mais acerto e possibilidade de atender com eqüidade as demandas sociais. Quanto mais exercitamos a gestão democrática nas escolas, mais no preparamos para a gestão da sociedade política e civil organizada. 

Aqui, pois, reside uma possibilidade concreta: chegar à universidade e concluir um curso de educação superior e estar preparado para tarefas de gestão na governo do Estado, nas prefeituras municipais e nos órgãos governamentais. Quem exercita a democracia em pequenas unidades escolares, constrói um espaço próprio e competente para assumir responsabilidades maiores na estrutura do Estado. Portanto, quem chega à universidade não deve nunca descartar a possibilidade de inserção no meio político e poder exercitar a melhor política do mundo, a democracia.

4.  Qualificar o educando para progredir no mundo do trabalho. Por mais que a escola qualifique seus recursos humanos, por mais que adquira o melhor do mundo tecnológico, por mais que atualize suas ações pedagógicas, era sempre estará marcando passo frente às novas transformações cibernéticas, mas a escola, através de seus professores, poderá qualificar o educando para aprender a progredir no mundo do trabalho, o que eqüivale a dizer a oferecer instrumentos para dar respostas, não acabadas ( porque a vida é processo inacabado) às novas demandas sociais, sem medo de perdas, sem medo de mudar, sem medo de se qualificar, sem medo do novo, principalmente o novo que vem nas novas ocupações e empregabilidade.
5.  Fortalecer a solidariedade humana. É papel da escola favorecer a solidariedade, mas não a solidariedade de ocasião, que nasce de uma catástrofe, mas do laço recíproco e cotidiano e de amor entre as pessoas. A solidariedade que cabe à escola ensinar é a solidariedade que não nasce apenas das perdas materiais, mas que chega como adesão às causas maiores da vida, principalmente às referentes à existência humana. Enfim, é na solidariedade que a escola pode desenvolver, no aluno-cidadão, o sentido de sua adesão às causas do ser e apego à vida de todos os seres vivos, aos interesses da coletividade e às responsabilidades de uma sociedade a todo instante transformada e desafiada pela modernidade.
6.  Fortalecer a tolerância recíproca. Um dos mais importantes princípios de quem ensina e trabalha com crianças, jovens e adultos é o da tolerância, sem o qual todo magistério perde o sentido de ministério, de adesão aos processos de formação do educando. A tolerância começa na aceitação, sem reserva, das diferenças humanas, expressas na cor, no cheiro, no falar e no jeito de ser de cada educando. Só a tolerância é capaz de fazer o educador admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferente dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos.
7.  Zelar pela aprendizagem dos alunos. Muitos de nós professores, principalmente os do magistério da educação escolar, acreditam que o importante, em sala de aula, é o instruir bem, o que pode ser traduzido, ter domínio de conhecimento da matéria que ministra na aula. No entanto, o domínio de conhecimento não deve estar dissociado da capacidade de ensinar, de fazer aprender. De que adiante e conhecimento e não saber, de forma autônoma e crítica, aplicar as informações? O conhecimento não se faz apenas com metalinguagem, com conceitos a, b ou c, e sim, com didática, com pedagogia do desenvolvimento do ser humano, sua mediação fundamental. O zelo pela aprendizagem passa pela recuperação daqueles que têm dificuldade de assimilar informações, sejam por limitações pessoais ou sociais. Daí, a necessidade de uma educação dialógica, marcada pela troca de idéias e opiniões, de uma conversa colaborativa em que não se cogita o insucesso do aluno. Se o aluno fracassa, a escola também fracassou. A escola deve riscar do dicionário a palavra FRACASSO. Quando o aluno sofre com o insucesso, também fracassa o professor. A ordem, pois, é fazer sempre progredir, dedicar-se mais do que as horas oficialmente destinadas ao trabalho e reconhecer que nosso magistério é missão, às vezes árdua, mas prazerosa, às vezes sem recompensa financeira condigna que merecemos, mas que pouco a pouco vamos construindo a consciência na sociedade, principalmente a política, de que a educação, se não é panacéia, é o caminho mais seguro para reverter as situações mais inquietantes e vexatórias da vida social.
8.  Colaborar com a articulação da escola com a família. O professor do novo milênio deve ter em mente que o profissional de ensino não é mais pedestal, dono da verdade, representante de todos os saberes, capaz de dar respostas para tudo. Articular-se com as famílias é a primeira missão dos docentes, inclusive para contornar situações desafiadoras em sala de aula. Quanto mais conhecemos a família dos nossos alunos, mais os entendemos e mais os amamos. Uma criança amada é disciplinada. Os pais, são, portanto, coadjuvantes do processo ensino-aprendizagem, sem os quais nossa ensinança fica coxa, não vai adiante, não educa. A sala de aula não é sala-de-estar do nosso lar, mas nada impede que os pais possam ajudar nos desafios da pedagogia dos docentes nem inoportuno é que os professores se aproximam dos lares para conhecerem de perto a realidade dos alunos e possam juntos, pais e professores, fazer a aliança de uma pedagogia de conhecimento mútuo, compartilhado e mais solidário.
Participar ativamente da proposta pedagógica da escola. A proposta pedagógica não deve ser exclusividade dos diretores da escola. Cabe ao professor participar do processo de elaboração da proposta pedagógica da escola até mesmo para definir de forma clara os grandes objetivos da escola para seus educandos. Um professor que não participa, se trumbica, se perde na solidão de suas aulas e não tem como pensar-se como ser participante de um processo maior, holístico e globalizado. O mundo globalizado para o professor começa por sentir-se parte no seu chão das decisões da escola, da sua organização administrativa e pedagógica.Respeitar as diferenças. Se de um lado, devemos levantar a bandeira da tolerância, como um dos princípios do ensino, o respeito às diferenças conjuga-se com esse princípio, de modo a favorecer a unidade na diversidade, a semelhança na dessemelhança. Decerto, o respeito às diferenças de linguagem, às variedades lingüísticas e culturais, é a grande tarefa dos educadores do novo milênio. O respeito às diferenças não tem sido uma prática no nosso cotidiano, mas, depois de cinco séculos de civilização tropical, descobrimos que a igualdade passa pelo respeito às diferenças ideológicas, às concepções plurais de vida, de pedagogia, às formas de agir e de ser feliz dos gêneros humanos. O educador, pois, deve ter a preocupação é reeducar-se de forma contínua uma vez que nossa sociedade ainda traz no seu tecido social as teorias da homogeneidade para as realizações humanas, teoria que, depois de 500 anos, conseguiu apenas reforçar as desigualdades sociais. Nossa missão, é dizer que podemos amar, viver e ser felizes com as diferenças, pois, nelas, encontraremos nossas semelhanças históricas e ancestrais: é, dessa maneira, a nossa forma de dizer ao mundo que as diferenças nunca diminuem, e sim, somam valores e multiplicam os gestos de fraternidade e paz entre os homens.

r feliz dos gêneros humanos.

Pela manhã, o bom religioso, abre o livro sagrado e reflete sobre o bem e o mal. Por um feliz amanhã, o bom professor abre a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e aprende a conciliar o conhecimento e a humanidade.

O País das Maravilhas



Um mundo onde as regras do tempo e do espaço estão de cabeça para baixo. O País das Maravilhas, criado em 1865 por Lewis Carroll, é o cenário para as aventuras de Alice. Siga os caminhos dessa obra-prima da ironia e do nonsense.

1. O Buraco do Coelho
Um coelho branco passa correndo, de olho no relógio de bolso. “Oh, céus! Vou chegar atrasado!” Curiosa, Alice o segue através de um buraco e despenca num precipício. Cai por tanto tempo que acaba pegando no sono. Ao despertar, continua seguindo o coelho por uma passagem subterrânea que leva ao Salão das Portas.

2. O Salão das Portas
Todas estão trancadas. Há uma chave, mas a porta é pequena. Um líquido faz Alice encolher, mas a chave ainda está sobre a mesa, agora muito alta. Um bolo com a etiqueta “coma-me” parece ser a solução, mas ela cresce demais. Quando começa a chorar, as lágrimas inundam a sala.

3. A Lagoa de Lágrimas
O Coelho Branco volta a aparecer, mas, assustado com o tamanho de Alice, foge correndo, deixando cair suas luvas e um leque. Alice apanha o leque e começa a se abanar, sem perceber que está encolhendo novamente, e cai na lagoa de suas próprias lágrimas.

4. Vila dos Animaizinhos
Junto com um bando de animais, Alice nada até a margem e, de repente, está fora do Salão, sem passar por nenhuma porta. Ela vê campos e bosques e decide seguir em frente quando os animais começam a discutir.

5. O Chalé da Duquesa
Dentro do chalé, o ar está cheio de pimenta. A Duquesa, feia e mal-humorada, acalenta um bebê-porco. Perto da lareira, o Gato de Cheshire mostra o tamanho de seu sorriso. O cozinheiro começa a atirar panelas na cabeça da patroa. Alice segue adiante.

6. O Centro de Informações da Lagarta
No meio do bosque, a Lagarta Azul está fumando um narguilé. Ela não é lá muito simpática, mas acaba dando uma informação importante a Alice: “Um lado faz você crescer, outro lado faz você diminuir”. Mas um lado do quê? “Do cogumelo”, responde a Lagarta, e vai embora rastejando. Alice apanha um pedaço e o guarda no bolso.

7. O Chalé do Coelho
Ao ver novamente Alice, o Coelho Branco ordena que ela vá até seu chalé e lhe traga um novo par de luvas. Lá, a menina volta a ter problemas com suas dimensões. Outro líquido suspeito e ela fica tão grande que ocupa toda a sala. Um pedaço de bolo depois, ela encolhe e consegue passar pela porta.

8. A Árvore do Gato de Cheshire
Alice avista o Gato de Cheshire sobre a árvore e ele sugere uma visita à casa do Chapeleiro e da Lebre de Março, dois malucos. “Mas eu não quero andar no meio de gente maluca”, diz Alice. “Aqui todo mundo é maluco. Inclusive eu e você”, diz ele antes de desaparecer.

9. O Salão do Chá
Alice encontra o Chapeleiro Louco e a Lebre de Março tomando chá com um arganaz. Aqui, o tempo parou e são sempre 6 da tarde, a “hora do chá”. Eles passam os dias ao redor da mesa, empilhando xícaras e comendo torradas.
10. A Árvore Oca
Mais adiante, Alice encontra uma árvore com uma porta no tronco e descobre que aquele é um atalho que leva de volta ao Salão das Portas. Ela pega a chave, come um pedaço do cogumelo e finalmente consegue passar pela portinhola que leva ao Roseiral.

11. O Roseiral da Rainha
Todas as rosas são brancas, mas os jardineiros insistem em pintá-las de vermelho. Eles explicam a Alice que erraram na hora de escolher a muda e que, se a Rainha descobrir o engano, serão decapitados.

12. O Campo de Croqué
A governante do País das Maravilhas, a Rainha de Copas, aparece de surpresa. Ela e o marido, o Rei de Copas, convidam Alice para um jogo de croqué. Os tacos são flamingos e as bolas, porcos-espinhos.

13. À margem do Oceano
Depois do jogo, e acompanhada pelo Grifo, um animal fabuloso com corpo de leão e cabeça de águia, Alice vai visitar a Falsa Tartaruga, que vive sobre uma rocha à margem do mar. O grito de “O julgamento vai começar!” faz Alice e o Grifo correrem para o Tribunal.

14. O Tribunal
As tortas feitas pela Rainha foram roubadas! O principal suspeito é o Valete de Espadas. O Rei é o juiz. Ao depor, Alice se opõe à Rainha e é condenada à decapitação. Mas ela dá de ombros. “Quem se importa? Vocês não passam de um monte de cartas”, diz. As cartas, enfurecidas, caem sobre ela.

15. De volta a Oxford
À margem do rio Tâmisa, a irmã de Alice avisa que ela dormiu por muito tempo. As duas voltam para casa, pois, como boas inglesinhas, não devem perder a hora do chá.

Texto José Francisco Botelho

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