quarta-feira, 25 de novembro de 2015

As doze princesas

     Era uma vez um rei que tinha doze filhas muito lindas. Dormiam em doze camas, todas no mesmo quarto; e quando iam para a cama, as portas do quarto eram trancadas a chave por fora. Pela manhã, porém, os seus sapatos apresentavam as solas gastas, como se tivessem dançado com eles toda a noite; ninguém conseguia descobrir como acontecia isso. Então, o rei anunciou por todo o país que se alguém pudesse descobrir o segredo, e saber onde as princesas dançavam de noite, casaria com aquela de quem mais gostasse e seria o seu herdeiro do trono; mas quem tentasse descobrir isso, e ao fim de três dias e três noites não o conseguisse, seria morto. Apresentou-se logo o filho de um rei. Foi muito bem recebido e à noite levaram-no para o quarto ao lado daquele onde as princesas dormiam nas suas doze camas. Ele tinha que ficar sentado para ver onde elas iam dançar; e, para que nada se passasse sem ele ouvir, deixaram-lhe aberta a porta do quarto. Mas o rapaz daí a pouco adormeceu; e, quando acordou de manhã, viu que as princesas tinham dançado de noite, porque as solas dos seus sapatos estavam cheias de buracos. O mesmo aconteceu nas duas noites seguintes e por isso o rei ordenou que lhe cortassem a cabeça. Depois dele vieram vários outros; nenhum teve melhor sorte, e todos perderam a vida da mesma maneira. Ora, um ex-soldado, que tinha sido ferido em combate e já não mais podia guerrear, chegou ao país. Um dia, ao atravessar uma floresta, encontrou uma velha, que lhe perguntou aonde ia.
— Quero descobrir onde é que as princesas dançam, e assim, mais tarde, vir a ser rei.

— Bem, disse a velha, - isso não custa muito. Basta que tenhas cuidado e não bebas do vinho que uma das princesas te trouxer à noite. Logo que ela se afastar, deves fingir estar dormindo profundamente. 

E, dando-lhe uma capa, acrescentou:

— Logo que puseres esta capa tornar-te-ás invisível e poderás seguir as princesas para onde quer que elas forem.
Quando o soldado ouviu estes conselhos, foi ter com o rei, que ordenou lhe fossem dados ricos trajes; e, quando veio a noite, conduziram-no até o quarto de fora. Quando ia deitar-se, a mais
velha das princesas trouxe-lhe uma taça de vinho, mas o soldado entornou-a toda sem ela o perceber. Depois estendeu-se na cama, e daí a pouco pôs-se a ressonar como se estivesse dormindo. As doze princesas puseram-se a rir, levantaram-se, abriram as malas, e, vestindo-se esplendidamente, começaram a saltitar de contentes, como se já se preparassem para dançar. A mais nova de todas, porém, subitamente preocupada, disse:
— Não me sinto bem. Tenho certeza de que nos vai suceder alguma desgraça.
— Tola!, replicou a mais velha. Já não te lembras de quantos filhos de rei nos têm vindo espiar sem resultado? E, quanto ao soldado, tive o cuidado de lhe dar a bebida que o fará dormir.
Quando todas estavam prontas, foram espiar o soldado, que continuava a ressonar e estava imóvel. Então julgaram-se seguras; e a mais velha foi até a sua cama e bateu palmas: a cama enfiou-se logo pelo chão abaixo, abrindo-se ali um alçapão. O soldado viu-as descer pelo alçapão, uma atrás das outra. Levantou-se, pôs a capa que a velha lhe tinha dado, e seguiu-as. No meio da escada, inadvertidamente, pisou a cauda do vestido da princesa mais nova, que gritou às irmãs:
— Alguém me puxou pelo vestido!
—Que tola!, disse a mais velha. Foi um prego da parede.
Lá foram todas descendo e, quando chegaram ao fim, encontraram-se num bosque de lindas árvores. As folhas eram todas de prata e tinham um brilho maravilhoso. O soldado quis levar uma lembrança dali, e partiu um raminho de uma das árvores. Foram ter depois a outro bosque, onde as folhas das árvores eram de ouro; e depois a um terceiro, onde as folhas eram de diamantes.
E o soldado partiu um raminho em cada um dos bosques. Chegaram finalmente a um grande lago; à margem estavam encostados doze barcos pequeninos, dentro dos quais doze príncipes muito belos pareciam à espera das princesas. Cada uma das princesas entrou em um barco, e o soldado saltou para onde ia a mais moça. Quando iam atravessando o lago, o príncipe que remava o barco da princesa mais nova disse:
—Não sei por que é, mas apesar de estar remando com quanta força tenho, parece-me que vamos mais devagar do que de costume. O barco parece estar hoje muito pesado.
—Deve ser do calor do tempo, disse a jovem princesa.
Do outro lado do lago ficava um grande castelo, de onde vinha um som de clarins e trompas. Desembarcaram todos e entraram no castelo, e cada príncipe dançou com a sua princesa; o soldado invisível dançou entre eles, também; e quando punham uma taça de vinho junto a qualquer das princesas, o soldado bebia-a toda, de modo que a princesa, quando a levava à boca, achava-a vazia. A mais moça assustava-se muito, porém a mais velha fazia-a calar. Dançaram até as três horas da madrugada, e então já os seus sapatos estavam gastos e tiveram que parar. Os príncipes levaram-nas outra vez para o outro lado do lago - mas desta vez o soldado veio no barco da princesa mais velha - e na margem oposta despediram-se, prometendo voltar na noite seguinte.
Quando chegaram ao pé da escada, o soldado adiantou-se às princesas e subiu primeiro, indo logo deitar-se.As princesas, subindo devagar, porque estavam muito cansadas, ouviam-no sempre
ressonando, e disseram:
—Está tudo bem.
Depois despiram-se, guardaram outra vez os seus ricos trajes, tiraram os sapatos e deitaram-se. De manhã o soldado não disse nada do que tinha visto, mas desejando tornar a ver a estranha
aventura, foi ainda com as princesas nas duas noites seguintes. Na terceira noite, porém, o soldado levou consigo uma das taças de ouro como prova de onde tinha estado.
Chegada a ocasião de revelar o segredo, foi levado à presença do rei com os três ramos e a taça de ouro. As doze princesas puseram-se a escutar atrás da porta para ouvir o que ele diria.
Quando o rei lhe perguntou: 
—Onde é que as minhas doze filhas gastam seus sapatos de noite?
Ele respondeu:
—Dançando com doze príncipes num castelo debaixo da terra. Depois contou ao rei tudo o que tinha sucedido, e mostrou-lhe os três ramos e a taça de ouro que trouxera consigo. O rei chamou as princesas e perguntou-lhes se era verdade o que o soldado tinha dito. Vendo que seu segredo havia sido descoberto, elas confessaram tudo. 
O rei perguntou ao soldado com qual delas ele gostaria de casar.
—Já não sou muito novo, respondeu, - por isso quero a mais velha.
Casaram-se nesse mesmo dia e o soldado tornou-se herdeiro do trono. Quanto às outras princesas e seus bailes no castelo encantado... Pelos buracos nas solas dos sapatos, elas continuam dançando até hoje.


Irmãos Grimm

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O tesouro enterrado


Numa das ruas que davam na pracinha de Belém, na antiga cidade de Huaraz, havia uma casa dos tempos coloniais que sempre estava fechada e que vivia cercada de mistérios. Diziam que estava repleta de almas penadas, que era uma casa mal-assombrada.
Quando esta história começou, a casa já havia passado por vários donos, desde um avaro agiota até o padre da paróquia. Ninguém suportava ficar lá.
Diziam que estava ocupada por alguém que não se podia ver e que em noites de luar provocava um tremendo alvoroço.
De repente, ouviam-se lamentos atrás da porta, objetos incríveis apareciam voando pelos ares, ouvia-se o ruído de coisas que se quebravam e o tilintar de um sino de capela. O mais comum, porém, era se ouvirem os passos apressados de alguém que subia e descia escadas: toc, toc, tum; toc, toc, tum... As pessoas morriam de medo de passar por ali de noite.
Certo dia, chegou à cidade uma jovem costureira procurando uma casa para morar. A única que lhe convinha, por ficar no centro, era a casa do mistério.
Muito segura, a tal costureira afirmou que não acreditava em fantasmas e alugou o imóvel. Instalou ali a sua oficina, com uma máquina de costura, um grande espelho, cabides e uma mesa de passar a ferro.
Com a costureira moravam uma moreninha chamada Ildefonsa e um cachorrinho preto, de nome Salguerito. E foi o pobre do animal que acabou pagando o pato, pois o fantasma da casa decidiu fazer das suas com ele: puxava-lhe o rabo, as orelhas, e vivia empurrando o coitadinho. Dormisse dentro ou dormisse fora da casa, à meia-noite Salguerito se punha a uivar de tal modo que dava medo. Arqueava o lombo, se arrepiava todo e ficava com os olhos faiscando de medo. Só dormia tranqüilo na cozinha, ao pé do pilão.
As pessoas costumavam ir bisbilhotar para ver como era a tal costureirinha e saber como aqueles três estavam se arrumando na casa mal-assombrada.
As duas mulheres não demonstravam em absoluto estar assustadas nem se davam por vencidas. A única coisa é que tinham que dormir com a lamparina acesa e com o cão na cozinha.
O fantasma acabou se cansando de infernizar o animal, mas começou então a deixar suas marcas na oficina da costureira: o espelho entortava sem que ninguém o tocasse; a máquina de costura começava a costurar sozinha; os carretéis caíam e ficavam rolando no chão; desapareciam as tesouras, o alfineteiro, o dedal e o caseador; as mulheres sentiam a presença de alguém que as seguia o tempo todo e, às vezes, o espelho ficava embaçado, como se alguém estivesse se olhando muito próximo dele.
Várias vezes o padre passou pela casa levando água benta, mas o copinho onde ela ficava sempre aparecia misteriosamente entornado.
– Isso não é coisa do diabo – esclareceu o padre. – As coisas do diabo se manifestam de outra maneira e acabam com água benta, invocações ou com a santa missa.
Com isso, as mulheres ficaram mais tranqüilas.
– O que eu acho é que deve haver alguma coisa enterrada por aí. Dinheiro ou joias guardados em algum lugar. Talvez alguma alma penada queira mostrar a vocês o lugar em que está o tesouro para poder repousar em paz e, neste caso, é preciso ajudá-la – sentenciou o padre.
Havia, nessa época, pelas bandas de Huaraz, um homem que se dedicava a procurar tesouros, cujo nome era Floriano. Era famoso e possuía uma larga experiência nesse tipo de trabalho. Chamaram-no muito em segredo e, certo dia, chegou sem que ninguém soubesse. Entrou na casa recitando rezas e súplicas, mascando coca, fumando cigarros e queimando incenso:
– Alma abençoada, sabemos que estás aqui e que nos ouves. Se queres alcançar o reino da paz, mostra-nos onde está enterrado o tesouro. Usa os sinais que quiseres, mas comunica-te conosco.
O homem ia de canto em canto repetindo a mesma coisa. Salguerito olhava para Floriano, latia e, em seguida, ia se deitar na cozinha, ao pé do pilão.
Floriano passou dois anos inteiros procurando o tal tesouro. A cada mudança de lua, lá estava ele, mas nunca encontrava uma resposta. Removeu o piso da casa inteira, bateu em todas as paredes, revistou as janelas e nada.
Salguerito fazia sempre a mesma coisa: olhava para ele, latia e corria até a cozinha para atirar-se ao pé do pilão. Até que um dia Floriano se foi, dizendo que nessa casa não havia nenhum tesouro enterrado.
Mas um domingo, quando Ildefonsa estava socando milho no pilão da cozinha para fazer pamonhas, seus pés esbarraram numa espécie de alça enterrada. Intrigada, a mulher foi cavoucando e cavoucando com uma faca, até que apareceu não apenas a alça completa, mas a boca de uma panela de ferro. Era exatamente no lugar em que Salguerito costumava se enfiar para dormir e onde se atirava sempre que Floriano vinha procurar o tesouro.
Surpresa, Ildefonsa foi correndo chamar a costureira.
– Veja – disse-lhe –, há uma panela enterrada aí embaixo.
Imediatamente as duas mulheres empurraram o pilão e zás-trás! Apareceu o tesouro: uma panela repleta de moedas antigas de ouro e prata, joias e pedras preciosas dos tempos coloniais. Estava logo ali, à flor da terra, junto à pedra de moer.
Dizem que à meia-noite, depois de benzerem a casa, a costureira e Ildefonsa saíram da cidade levando consigo não apenas o tesouro encontrado, mas também Salguerito, o cãozinho judiado que lhes deu o sinal preciso de onde estava enterrado o tesouro.
Nunca mais se soube deles.


Coletânea de contos de tradição oral. Contos de assombração. Co-edição latino-americana. São Paulo: Ática, 1988, 4a ed.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Contos da Infância e do Lar

001 O Rei Sapo ou Henrique de Ferro
002 Gato e rato em companhia
003 A protegida de Maria
004 A história do jovem em busca de saber o que é o medo
005 O lobo e as sete crianças
006 O fiel João
007 O bom negócio
008 O músico maravilhoso
009 Os doze irmãos
010 Gentalha
011 Irmãozinho e irmãzinha (O gamo encantado)
012 Rapunzel
013 Os três homenzinhos na floresta
014 As três fiandeiras
015 Joãozinho e Margarida (Hansel e Gretel)
016 As três folhas da serpente
017 A serpente branca
018 A palhinha, a brasa e o feijão
019 O pescador e sua mulher
020 O pequeno alfaiate valente
021 Cinderela
022 O enigma
023 O ratinho, o passarinho e a linguiça
024 A Senhora Holle (Dona Flocos de Neve)
025 Os sete corvos
026 Chapeuzinho Vermelho
027 Os músicos da cidade de Bremen
028 O osso cantador
029 Os três cabelos de ouro do Diabo
030 O piolho e a pulga
031 A moça sem mãos
032 João, o sensato
033 As três linguagens
034 Elsie, a sensata
035 O alfaiate no Paraíso
036 Mesinha põe-te, burro de ouro e bordão sai-do-saco
037 O Pequeno Polegar
038 O casamento de Dona Raposa
039 Os gnomos (Histórias de anões)
040 O noivo salteador
041 O Senhor Korbes
042 O senhor compadre
043 Dona Trude
044 Comadre Morte
045 A viagem do Pequeno Polegar
046 O estranho pássaro
047 A amoreira
048 O velho Sultão
049 Os seis cisnes
050 Rosicler (A Bela Adormecida no Bosque)
051 Pássaro-achado
052 O rei Barba de Tordo
053 Branca de Neve
054 A mochila, o chapeuzinho e a corneta
055 Rumpelstilzinho
056 O querido Rolando
057 O pássaro de ouro
058 O cão e o pardal
059 Frederico e Catarina
060 Os dois irmãos
061 O camponesinho
062 A rainha das abelhas
063 As três plumas
064 O ganso de ouro
065 Pele de bicho
066 A noiva do coelhinho
067 Os doze caçadores
068 O ladrão e seu mestre
069 Jorinda e Jorindo
070 Os três irmãos afortunados
071 Os seis que tudo conseguiam
072 O lobo e o homem
073 O lobo e a raposa
074 A raposa e a comadre
075 A raposa e o gato
076 O cravo
077 Margarida, a espertalhona
078 O avô e o netinho
079 A ondina
080 A morte da franguinha
081 O Irmão Folgazão
082 João Jogatudo
083 João, o felizardo
084 O casamento de João
085 Os filhos de ouro
086 A raposa e os gansos
087 O pobre e o rico
088 Uma andorinha que canta e pula
089 A pastorinha de gansos
090 O jovem gigante
091 O gnomo
092 O rei da Montanha Dourada
093 O corvo
094 A camponesinha sagaz
095 O velho Hildebrand
096 Os três passarinhos
097 A Agua da Vida
098 O doutor Sabetudo
099 O espirito na garrafa
100 O fuliginoso irmão do diabo
101 Pele de urso
102 O urso e a carriça
103 O mingau doce
104 Os espertalhões
105 Contos de rãs
106 O pobre moço do moinho e a gatinha
107 Os dois companheiros de viagem
108 João-Ouriço
109 A mortalha do menino
110 O judeu no meio dos espinhos
111 O caçador habilitado
112 O mangual do céu
113 O príncipe e a princesa
114 O alfaiatinho intrépido
115 A luz do sol o revelara
116 A luz azul
117 O menino teimoso
118 Os três cirurgiões
119 Os sete sábios
120 Os três empregados
121 O príncipe sem medo
122 A alface magica
123 A velha do bosque
124 Os três irmãos
125 O diabo e sua avó
126 Fernando fiel e Fernando infiel
127 O fogão de ferro
128 A fiandeira preguiçosa
129 Os quatro irmãos habilidosos
130 Olhinho, Doisolhinhos, Trêsolhinhos
131 A bela Catarina e Poldo Pif Paf
132 A raposa e o cavalo
133 Os sapatos estragados
134 Os seis criados
135 A noiva branca e a noiva preta
136 João de Ferro
137 As três princesas pretas
138 Nicolau e seus três filhos
139 A donzela de Brakel
140 As comadres
141 O cordeirinho e o peixinho
142 A montanha Simeli
143 O vagamundo
144 O burrinho
145 O filho ingrato
146 O nabo
147 O fogo rejuvenescedor
148 Os animais do Senhor e os do Diabo
149 A trave do galo
150 A velha mendiga
151 Os três preguiçosos
151 Os doze criados preguiçosos
152 O pastorzinho
153 As moedas caídas do céu
154 As moedas roubadas
155 A escolha da noiva
156 A desperdiçada
157 O pardal e seus quatro filhos
158 No país do Arco-da-Velha
159 Lengalenga de mentiras
160 Adivinhação
161 Branca-de-Neve e Rosa-Vermelha
162 O criado esperto
163 O esquife de vidro
164 Henrique, o preguiçoso
165 O Grifo
166 João o destemido
167 O camponesinho no Céu
168 A magra Elisa
169  A casa na floresta
170 Como se repartem alegrias e sofrimentos
171 A carriça (Rei da capoeira)
172 A solha
173 A pega e o alcaravão
174 O mocho
175 A lua
176 O termo da vida
177 Os mensageiros da morte
178 Nariz-de-Palmo-e-Meio
179 A guardadora de gansos no regato
180 Os filhos de Eva
181 A ondina do lago
182 Os presentes do povo pequenino
183 O gigante e o alfaiate
184 O prego
185 O pobre rapaz na sepultura
186 A verdadeira noiva
187 A lebre e o ouriço
188 O fuso, a lançadeira e a agulha
189 O camponês e o diabo
190 As migalhas sobre a mesa
191 O ouriço do mar
192 O ladrão mestre
193 Tamborzinho
194 A espiga de trigo
195 Os guardas da sepultura
196 O velho Rink Rank
197 A bola de cristal
198 A donzela Malvina
199 As botas de búfalo
200 A chave de ouro

Lendas infantis

001 São José na floresta
002 Os doze Apóstolos
003 A rosa
004 Pobreza e humildade levam ao Céu
005 O manjar divino
006 Os três raminhos verdes
007 O copinho de Nossa Senhora
008 A velha mãezinha
009 O festim celestial
010 A vara de aveleira


Irmãos Grimm

O leão e o mosquito

  
   Um leão ficou com raiva de um mosquito que não parava de zumbir ao redor de sua cabeça, mas o mosquito não deu a mínima.
— Você está achando que vou ficar com medo de você, só porque você pensa que é rei? — disse ele altivo e, em seguida, voou para o leão e deu uma picada no seu focinho. Indignado, o leão deu uma patada no mosquito, mas a única coisa que conseguiu foi arranhar-se com as próprias garras. O mosquito continuou picando o leão, que começou a urrar como um louco.
   No fim, exausto, enfurecido e coberto de feridas provocadas por seus próprios dentes e garras, o leão se rendeu. O mosquito foi embora zumbindo, para contar a todo mundo que tinha vencido o leão, mas entrou direto numa teia de aranha. Ali, o vencedor do rei dos animais encontrou seu triste fim, comido por uma aranha minúscula. Muitas vezes, o menor de nossos inimigos é o mais terrível.

Postagem em destaque

O pobre e o rico

Em tempos muito remotos, quando o bom Deus ainda andava pela terra entre os homens, certa tarde, após ter caminhado muito, sentiu-se can...